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Os Pioneiros Jelson da Costa Antunes sempre foi um sonhador. E sempre teve a coragem e a ousadia de buscar que seus sonhos se realizassem. Tinha apenas 19 anos quando, em 1946, na cidade de Niterói, depois de desempenhar várias funções na pequena Viação Cabuçu - de aprendiz de eletricista a cobrador, de motorista a gerente -, decidiu que já tinha suficiente experiência para comprar seu primeiro ônibus, em sociedade com um irmão. Devidamente reformado pelo próprio Jelson, o veículo foi agregado à frota da Viação Niterói. Ele era o chofer e o mecânico. Com o dinheiro ganho, fundou no município de São Gonçalo (RJ) a Viação São José, que se tornou a maior empresa do Estado do Rio de Janeiro. Com sua visão de negócio, Jelson Antunes sentiu que o melhor caminho para crescer, naquele início de década, era a incorporação de novas empresas. E assim, foram sucessivamente adquiridas a Expresso Rio Bonito, a Expresso Itaboraí, a Transportadora Ivani, e fundada a Viação São Paulo - Niterói, em 1963. Por último, em 1968, foi comprada a Auto Viação 1001, na época a terceira maior empresa do Estado do Rio. Quando ficou difícil administrar isoladamente cada uma das empresas, Jelson Antunes optou pela fusão de todas elas na sociedade anônima Auto Viação 1001. Gradativamente, a empresa foi alcançando projeção nacional. Direção inversa à da fusão seria adotada anos mais tarde, por ocasião de duas novas e importantes aquisições: a da Rápido Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e a da Auto Viação Catarinense, em Santa Catarina. Ambos mantiveram seus nomes e continuaram operando como companhias independentes, embora comandadas pela holding JCA. Lá pelos idos de 1960, sempre que tinha de ir a São Paulo, Jelson Antunes gostava de desfrutar um prazer: viajar num ônibus Morubixaba, o famoso GMC da Viação Cometa. Essa admiração pelo veículo e pelo fundador da empresa, Tito Moscioli, sempre fez parte das boas lembranças do empresário. "Já naquele tempo eu acalentava o sonho de um dia oferecer um serviço com aquela qualidade, em um tipo de ônibus igualmente moderno e confortável", relembra. O sonho se realizou quando a 1001 passou a operar uma linha no-stop entre Niterói e São Paulo com ônibus double-decker, sendo a primeira empresa no País a oferecer serviços leitos e executivo integrados em um mesmo veículo. A experiência foi igualmente bem-sucedida na Auto Viação Catarinense, que implantou o serviço em sua linha São Paulo - Florianópolis. O que talvez poucos imaginavam é que Jelson Antunes iria ainda mais longe na sua admiração pela concorrente. No início de 2002, durante uma reunião do Conselho de Administração da 1001, ele comunicou: "Estou comprando a Viação Cometa". As negociações haviam começado no sei fim de 2001, depois que Felipe Brandi Mascioli, o presidente da empresa, vendeu suas ações para o sócio Arthur Brandi Mascioli. Este último chegou a um acordo com a JCA, que, assim, se tornou controladora de uma empresa com 700 ônibus e 52 linhas operadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Com a aquisição, o Grupo 1001 passou a ter mais de 1.700 ônibus e, de quebra, assumiu a condição de maior frotista Scania do mundo.
Imediatamente, Jelson Antunes passou a introduzir conceitos que já haviam provado a sua validade na 1001, na Catarinense e na Rápido Ribeirão Preto. O principal deles, o de serviço diferenciado, tanto no atendimento como na própria operação de transporte. Foi assim que as empresas do grupo conseguiram, segundo Jelson Antunes, manter os mesmos níveis de ocupação de assentos dos anos 90, apesar da guerra tarifária movida contra os ônibus pelo transporte aéreo "Acredito que as pequenas coisas façam uma grande diferença", explica Jelson Antunes. "Em períodos de concorrência acirrada, pelos quais sempre passamos, os detalhes são multo importantes”. Quanto à Viação Cometa, Jelson Antunes, quando ainda era um pequeno empresário, sempre fazia questão de viajar nos ônibus dessa empresa quando precisava ir ou voltar de São Paulo. Um de seus sonhos era justamente o de, algum dia, ter uma igual. Conseguiu até mais de uma, mas não hesitou em comprar a própria Cometa quando surgiu a oportunidade. A origem da empresa remonta ao fim da década de 30. Em 1937, quando a cidade de São Paulo ainda não tinha sequer um milhão de habitantes, um grupo de empresários locais lançou um loteamento no longínquo bairro do Jabaquara. Como era de acesso difícil, e a fim de estimular os possíveis interessados nos terrenos, montou uma linha de ônibus ligando o bairro ao centro da cidade. Denominada Auto Viação Jabaquara, ela operou inicialmente com seis carros, a partir de 1938, mas alcançou grande desenvolvimento, até ser encampada pela Prefeitura paulistana. Em 1947, alguns dos sócios da antiga empresa adquiriram a Viação São Paulo-Santos e mudaram seu nome para Viação Cometa S.A. A empresa alcançou grande crescimento, especialmente depois da inauguração da Via Dutra, em 1951, quando passou a operar sua linha mais importante, a ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ao comprar a Cometa, Jelson da Costa Antunes concluiu um ciclo de aspirações empresariais e passou a comandar um dos maiores complexos de transporte rodoviário de passageiros do país. Somados os números da 1001, Catarinense, Cometa e Rápido Ribeirão Preto, chega-se a uma frota de aproximadamente 1.700 ônibus, mais de 160 milhões de quilômetros rodados por ano, mais de 300 linhas atendidas, cerca de 500 pontos de venda, mais de oito mil funcionários e quase 30 milhões de passageiros transportados anualmente. O Grupo JCA dedica-se ainda a outros negócios, como transporte aquaviário, táxi aéreo, imobiliário, turismo e agropecuária. Fonte: Os Pioneiros – Encarte especial da revista ABRATI Nº 35 |